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ARQUITETURA VS. EPIDEMIAS

A arquitetura e a engenharia tem um longo histórico relacionado a nossa luta contra epidemias. Os avanços em relação a como vivemos e como construímos nossas cidades tem muito a ver com epidemias que causaram muitos problemas ao longo do tempo.


No fim do século XVIII e começo do século XIX, a revolução industrial trouxe uma nova forma de viver em Londres, com as pessoas mais amontoadas, alta densidade populacional, e a infraestrutura de saneamento não acompanhou esta nova forma de viver.

No começo do século XIX houve a epidemia de Cólera. A doença se espalhava rapidamente pela cidade, resultando em milhares de mortos.

A crença era que a doença era causada por um "mau ar", o chamado miasma.

Por conta desta crença, eles achavam que simplesmente jogando os dejetos no Rio Tâmisa a situação melhoraria. Mas só piorou. O rio insalubre era a principal fonte de captação de água em muitos bairros, que viram os casos de Cólera aumentarem muito.

John Snow, um físico, na época foi formulando a hipótese de que a doença também poderia ser transmitida pela água. Seus estudos a princípio foram desacreditados. Porém, com o tempo, as evidências foram apontando para este cenário. Muitos pessoas morreram pela demora em aceitar as evidências científicas.

Com estas evidências, as autoridades viram a necessidade de criar um sistema de esgoto que desse um fim mais sanitário aos dejetos. A criação destes dutos também necessitavam de ruas mais amplas e abertas, o que foi um ganho urbanístico para a cidade.

A construção de um grande sistema de esgotos foi uma revolução para Londres e apontou o caminho para as grandes cidades do mundo. Era o começo da reforma sanitária. Até hoje, grande parte desta construção ainda é usada na infraestrutura londrina.


Os avanços da ciência no começo do século XX já demonstravam que as doenças eram causadas por micro-organismos. Era a teoria dos germes. A reforma sanitária então foi para os interiores das casas.

Muitos dos elementos que havia na sala, no quarto e nas áreas sociais eram também usadas nas áreas molhadas. Cortinas, tapetes, móveis com muitos ornamentos de madeira, eram todos elementos comuns nos banheiros. Com os novos conhecimentos, e um certo medo geral da população em relação aos germes, estes elementos foram sendo substituídos por materiais e acabamentos mais lisos, claros, mais fáceis de limpar, como a porcelana, azulejos e metais. Até hoje são os materiais mais usados e se tornaram padrão destes ambientes.



No início do século XX outra doença terrível atingiu milhares de pessoas: a tuberculose.

Na época, muitos sanatórios foram construídos. Seus projetos valorizavam a iluminação natural, ventilação, espaços abertos para se tomar sol. Todas essas características ajudavam na recuperação dos pacientes. Um dos mais icônicos sanatórios já feitos tem essas características, o Sanatório Palmio, de Alvar Aalto, de 1932


Estes preceitos muito ligados à saúde e bem estar das pessoas foram também linhas guias para os arquitetos modernos desenvolverem seus projetos.


Outra casa famosa, projetada por Richard Neutra para o físico e entusiasta de assuntos de saúde Philip Lovell, leva ao extremo o uso de iluminação natural, espaços de terraço e ventilação. É um marco na arquitetura moderna.

Le Corbusier, em sua Villa Savoye, deixa claro seu interesse e preocupação com higiene e saúde ao colocar um lavatório logo na entrada da casa


E HOJE, O QUE PODEMOS FAZER?


Difícil pensar no futuro quando temos tantas pessoas e comunidades ainda sem o básico em infraestrutura sanitária e qualidade de vida. Devemos lutar para que o mundo todo tenha o básico e essencial. Nesta crise, por exemplo, foram colocadas nas ruas de Ruanda lavatórios móveis, para que as pessoas tenham onde lavar as mãos, dado que em suas casas não há água encanada.


Devemos também exigir dos governos maior atenção às questões climáticas e ecológicas. Queimadas, aquecimento global, desflorestamento, são todas questões que atingem a saúde principalmente das populações mais vulneráveis.


E PARA O FUTURO?


A tecnologia será um forte aliado na contenção de pandemias e monitoramento da saúde das comunidades. Na construção civil, é necessário pensar em materiais e equipamentos que ajudem a neutralizar vírus e bactérias.


Mas a grande revolução será a infraestrutura digital. Uma rede global de monitoramento das condições de saúde de comunidades que poderá identificar o alastramento de doenças em tempo real. Dispositivos ligados à casas inteligentes podem medir a temperatura dos moradores, identificar febre e compartilhar isso em uma grande rede de informações conectada aos órgãos de saúde pública.


Isto não está tão distante. Nesta crise do Covid-19, a China por exemplo conseguiu rastrear as pessoas doentes via QR-code no celular, para ver se estavam se mantendo na quarentena. Em São Francisco, Califórnia, médicos de um hospital estão usando anéis inteligentes que monitoram a temperatura deles para identificar a febre o mais rápido possível.


O mundo deve mudar rapidamente. Neste cenário distópico, devemos considerar a tecnologia como nossa aliada!


fontes:

curbed, science museum, citylab.

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